sexta-feira, 8 de maio de 2009

VAMOS FICAR DE OLHO NAS CRIANÇAS !!


São Paulo - Pesquisas recentes mostram que as crianças concentram mais o vírus da gripe do que os adultos e podem contaminar outras pessoas por até dez dias após o início dos sintomas. A informação é do pediatra Eitan Berezin, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo ele, esta constatação levou SBP a seguir uma tendência mundial e modificar este ano o calendário de vacinação. "Ampliamos o período de vacinação de dois para até cinco anos de idade, pois os dados mostram que a gripe incide mais nessa faixa etária”. Atualmente, a campanha da rede pública no País dá ênfase a vacinação de idosos.

Nos Estados Unidos, o Centers for Disease Control and Prevention (Centro de Controle e Prevenção de Doenças Infecciosas) recomenda, desde julho do ano passado, que todas as crianças e adolescentes de 6 meses a 18 anos sejam vacinados. Segundo o médico norte-americano Frederick Ruben, ex-professor da Universidade de Pittsburgh, "imunizar crianças pode evitar o surto da doença, além de reduzir a exposição e hospitalizações.” 

Berezin também recomenda a imunização para jovens, embora os riscos sejam maiores para crianças e idosos. Segundo o especialista em infectologia, a proteção contra a gripe chega a 90%, mas a vacina é contraindicada para quem é alérgicos a ovo, que é usado em sua fabricação. Para quem está entre 30 e 40 anos, a prática de esportes, além de hábitos e alimentação saudáveis ajudam o organismo adquirir uma boa resistência natural contra agentes infecciosos. Mas Berezin reforça que o vírus que causa a gripe suína ainda não tem vacina.

Como o vírus da gripe sofre muitas mutações de um ano para o outro, é preciso se imunizar todos os anos. A rede pública de saúde oferece a vacina contra influenza gratuitamente a quem tem mais de 60 anos, contemplando também aqueles que têm quadros especiais, como imunodepressões, asma, diabete, doenças do coração, problemas renais ou neurológicos. A imunização é indicada nos meses de maior prevalência da gripe, principalmente as semanas que antecedem o inverno.

Quando o período mais frio do ano se aproxima, os sintomas da gripe levam muita gente ao hospital e a passar alguns dias em casa. Além dela, há aumento de outras doenças durante a estação mais fria do ano, como sinusite, rinite e otite média. “O inverno é a época do ano em que predominam as doenças de transmissão respiratória. Há mais concentração de pessoas, mais choque térmico, a poluição aumenta e o trato respiratório fica irritado. Esses fatores facilitam a transmissão”, explica o infectologista Artur Timerman, dos hospitais Albert Einstein e Professor Edmundo Vasconcelos.

Influenza

O vírus influenza (o causador da gripe), segundo Timerman, deve ser considerado como o mais importante. Sozinho, esse vírus infecta cerca de 600 milhões de pessoas por ano - um em cada dez adultos e uma em cada três crianças. Os que mais sofrem são os menores de 2 anos, que ainda não têm o sistema imunológico completo, e os maiores de 65. São eles os mais internados em hospitais e também os que apresentam mais complicações, como a otite e a pneumonia. 

Nos menores de 1 ano as taxas de hospitalização são maiores do que nos idosos e o índice de morte em bebês de até 6 meses é semelhante às taxas em pacientes da terceira idade, segundo a professora doutora Sandra Vieira, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). As creches são um canal favorável para a proliferação do vírus: de 20% a 50% dos seus alunos ficam infectados pelo influenza.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A CRIANÇA E A DENGUE !!

Presidente da Fiocruz diz que a criança é um ser mais vulnerável. No Rio de Janeiro, a doença atinge 85 pessoas por hora, a maioria crianças.

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Na medida em que a dengue avança sobre todo o país, cresce o número de mortos e casos confirmados. No Rio de Janeiro, a doença atinge 85 pessoas por hora, a maioria crianças. Em entrevista ao “Fantástico” em julho de 2007, o médico Carlos Henrique afirmou que elas são as mais prejudicadas.

“Quem está morrendo hoje? Com o avanço da doença, são as crianças, porque elas nasceram e não são imunes. Isso vira um pânico social, as pessoas ficam angustiadas. Quem será o próximo, qual será a próxima criança que vai morrer?”, alertou o doutor.

Menos de um ano depois, a angústia virou realidade. A dengue virou novamente uma epidemia no Rio de Janeiro, confirmada pela Secretaria estadual de Saúde. Nos hospitais, as filas não páram de crescer.

“Há uma revolta muito grande de saber que o meu filho, com saúde, com disposição, uma criança tão boazinha, foi vencido por um mosquito em pleno século 21”, acusa Paulo Roberto Evaristo, que perdeu o filho Daniel, de oito anos.

Segundo o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Roberto Evaristo, a criança é um ser mais vulnerável. “Nesses casos, temos uma maior gravidade dos casos de dengue e uma maior letalidade”, explicou.

Em 2006, a epidemia de dengue começou em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Depois foi para Terezina, no Piauí. Este ano, está no Rio de Janeiro. Para o doutor Dráuzio Varella, a geografia da doença acompanha a incompetência das autoridades.

Busca pelo socorro

Paulo Roberto Evaristo contou que o filho começou a ter febre e ficou muito cansado. No dia seguinte, ainda com febre e vomitando, Daniel foi levado pela avó a uma clínica particular da Tijuca, na Zona Norte do Rio. Ele saiu de lá com um diagnóstico e nenhuma dúvida.

“Eu cheguei a perguntar para a médica se não era dengue, mas ela disse que não, que era somente uma virose”, recorda Maria da Conceição Evaristo, avó do menino.

O diretor médico do hospital Prontobaby, Guilherme Sargentelli, disse que Daniel apresentou sintomas de febre com menos de 24 horas e um episódio de vômito que não configurou outro sintoma.

Para o pai do menino, é possível entender que, às vezes, há dificuldade de diagnosticar que seja uma dengue. Mas o que não se pode fazer é descartar essa hipótese, com tantas crianças no hospital com o mesmo problema.

“O médico atendeu, disse que deveria ser um resfriado, porque não tinha nenhum sintoma de dengue. Voltamos para casa e a febre foi se agravando, se agravando, não baixava”, lembra Edineide Souza, mãe de Daniel, que não teve nenhum exame solicitado pelos médicos.

O menino foi mandado de volta pra casa, com uma receita dada pela médica da clínica: um remédio para baixar a febre, um para enjôo, e um soro para hidratação oral. “É tão triste você pegar a agenda e ver a última aula que ele assistiu. E depois mais nada. Acabou”, emociona-se Paulo Roberto.

Sintomas

A dengue é uma virose grave, que pode levar à morte. Por isso, é muito importante saber reconhecer logo a doença. Segundo Varella, ela deve ser suspeitada em todos os casos de febre aguda, acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas:

- Dor de cabeça
- Dor atrás dos olhos
- Dores musculares
- Dores nas juntas
- Prostração
- Vermelhidão no corpo

Diante da suspeita de dengue, todo médico tem obrigação de fazer os exames recomendados na cartilha do Ministério da Saúde: além do exame físico, o médico deve pedir um hemograma com sorologia para dengue e fazer a Prova do Laço. De acordo com o doutor Dráuzio Varella, ele é importante porque reflete a queda do número de plaquetas, muitas vezes a única manifestação visível da forma hemorrágica da dengue.

Varella alerta ainda para aos sinais quando o quadro se agrava:

- Dores abdominais fortes e contínuas
- Vômitos persistentes
- Tontura ao levantar
- Fígado e baço doloridos
- Sangue nas fezes ou na urina
- Extremidades das mãos e pés azuladas
- Pulso rápido
- Agitação ou moleza
- Diminuição do volume da urina
- Diminuição súbita da temperatura do corpo
- Dificuldade para respirar.

Segundo ele, a presença de qualquer desses sintomas indica a necessidade de internação hospitalar urgente. ”Nesta altura, não dá mais para evitar a picada do mosquito, nem a epidemia. Mas é absurdo que alguém, principalmente uma criança, morra de dengue em pleno século 2″, concluiu o doutor Dráuzio Varella.